• Alice Tibiriçá (1886-1950)

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25 de maio de 2023 por 

Ativista Social. Feminista. Defensora dos direitos das pessoas portadoras de enfermidades e no combate à hanseníase. Patrona do Dia das Mães e do Dia Internacional da Mulher no Brasil.

Alice de Toledo Ribas Tibiriçá nasceu em 9 de janeiro de 1886 na cidade de Ouro Preto, Minas Gerais. Em 1898, mudou-se para o Rio de Janeiro com a família, mas no ano seguinte seus pais faleceram e Alice ficou morando com a irmã. Aos 14 anos foi morar com suas tias na cidade de São Paulo. Em 1912, casou-se com João Tibiriçá Neto, filho do senador e ex-presidente do estado de São Paulo.

Em função da construção de uma estrada de ferro no Maranhão, Alice Tibiriçá acompanhou o marido e lá viveram por dois anos. Durante esse período, Alice se compadeceu com a realidade de portadores da doença de lepra, como era conhecida na época. Visando combater o preconceito com relação aos doentes, Alice foi pioneira na mudança do nome da doença para hanseníase e na defesa dos direitos das pessoas portadoras de enfermidades.

A partir de 1915, mudou-se de volta para o Rio de Janeiro, onde militou pelos direitos de portadores de doenças. Durante sua atuação enquanto ativista, denunciou a forma desigual através da qual a sociedade lidava com pessoas enfermas. Em 1926, Alice Tibiriçá fundou a Sociedade de Assistência às Crianças Lázaras, mais tarde SALDCL – Sociedade de Assistência aos Lázaros e Defesa contra a Lepra. O trabalho de Alice ganhou repercussão nacional e seus resultados foram concretizados em 1929 com a criação da Federação das Sociedades, na qual foi a primeira presidenta, e nas campanhas de arrecadação de recursos que se espalharam por todo o país.

Ainda, graças ao empenho de Alice, em 1933, ocorreu no Rio de Janeiro a Conferência para a Uniformização da Campanha contra a Lepra. Nela estiveram presentes representantes das sociedades de assistência estaduais e municipais, médicos especialistas de todo o país e cerca de 100 associações privadas. Como resultado do evento foi criado o Plano Geral de Combate à Hanseníase.

Alice escreveu o livro Como eu vejo a lepra, editado em 1934. Dentre as críticas que a ativista realizava à sociedade da época, constam o isolamento dos enfermos e a separação de pais e filhos durante os períodos de tratamento. O reconhecimento internacional da atuação de Alice Tibiriçá tem como prova a carta do Comitê de Higiene da Liga das Nações (a futura ONU – Organização das Nações Unidas) que foi dirigida à ativista. Alice Tibiriçá também atuou na área de medicina social em combate à tuberculose, na área da psiquiatria e no apoio às pessoas cegas. 

Além de sua vasta atuação em defesa dos direitos de pessoas portadoras de enfermidades, Alice de Toledo Ribas Tibiriçá dedicou sua vida também à defesa dos direitos das mulheres. Em 1927, a ativista fundou o Instituto de Ciências e Artes Santa Augusta, em São Paulo. A organização oferecia cursos profissionalizantes e de métodos modernos de agricultura para mulheres do interior do Estado.

Em 1931, a Associação Cristã de Moços de São Paulo convidou Alice para fazer uma conferência sobre o Dia das Mães em sua sede. Nesse momento, Alice prometeu que lutaria para tornar a data oficial no país todo. Em julho do mesmo ano, Alice Tibiriça foi a representante paulista da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino (sob a presidência de Bertha Lutz) durante o II Congresso Internacional Feminista. No encontro, conseguiu a aprovação de uma moção que propunha ao presidente Getúlio Vargas a institucionalização do Dia das Mães no Brasil no segundo domingo do mês de maio, como já era feito em outros países. Assim, no ano seguinte, em 6 de maio de 1932, um decreto presidencial tornou oficial a homenagem.

Alice Tibiriçá foi um dos nomes mais votados em São Paulo, no ano de 1933, no plebiscito promovido pelo jornal Diário da Noite, para escolher mulheres representantes para a Assembleia Constituinte. Mas ela não se candidatou.

Em 1946, Alice dirigiu o Instituto Feminino de Serviço Construtivo e realizou, pela primeira vez no Brasil, no dia 8 de março de 1947, as comemorações do Dia Internacional das Mulheres. No mesmo ano, também representou as mulheres brasileiras no Conselho da Federação Democrática Internacional de Mulheres, em Praga.

Em 1949, Alice Tibiriçá auxiliou na fundação da Federação de Mulheres do Brasil, sendo sua primeira presidenta e estando à frente da organização até 1950. A entidade centralizava diversas atividades dos movimentos de mulheres do país e tinha como objetivo organizar as ações das mulheres na luta pelos seus direitos, pela proteção à infância, na defesa da paz mundial, e por campanhas contra a carestia da vida, uma vez que a II Guerra Mundial tornou a situação do país difícil, com aumento da pobreza. A Federação abrigava várias entidades de tendência do pensamento de esquerda e comunista, mas Alice Tibiriçá não era filiada a nenhum partido.

Como representante da Federação de Mulheres do Brasil, participou ainda da campanha O petróleo é nosso, a partir da qual realizou conferências e comícios na cidade do Rio de Janeiro, bem como em outros locais. Nesse sentido, Alice Tibiriçá assumiu a Vice-Presidência do Centro de Estudos e Defesa do Petróleo. 

No mesmo ano Alice foi presa junto com outras mulheres por participar de uma passeata da Associação de Mulheres de São Paulo que anunciava o Congresso da Paz. Enquanto esteve presa, foi promovida a campanha Onde está Alice?.

Sua última participação em ato público foi aos 64 anos na comemoração do Dia Internacional da Mulher no ano de 1950. Nesse mesmo ano, Alice Tibiriçá faleceu em 8 de junho, vítima de câncer. 

Palavras-Chave/TAG: #AliceTibirica #ativistafeminista #feminista #diadasmães #hanseníase #federacaodemulheres

Texto Adaptado do verbete contido no Dicionário Mulheres do Brasil por: Ana Laura Becker, Emilson Gomes Junior, Schuma Schumaher e Sofia Vieira.

REFERÊNCIAS 

  • Produções acadêmicas:

MIRANDA, Maria Augusta Tibiriça. Alice Tibiriça: Lutas e ideias. Rio de Janeiro: PLG Comunicação, 1980. Disponível em: Livro: Alice Tibiriça Lutas e Ideais – Maria Augusta Tibiriçá Miranda | Estante Virtual. Acesso em 19 jun 2023.

PEREIRA, Andréa Ledig de Carvalho. Pelas mãos de Alice: a trajetória de uma filantropa comunista na primeira metade do século XX. Rio de Janeiro: Dia-Logos: Revista dos Alunos de Pós-Graduação em História, 2016. V. 10, n. 1. Disponível em: Pelas mãos de Alice: a trajetória de uma filantropa comunista na primeira metade do século XX | Ledig de Carvalho Pereira | Dia-Logos: Revista Discente da Pós-Graduação em História (uerj.br). Acesso em 19 jun 2023.

SCHUMAHER, Schuma; VITAL BRAZIL, Érico. Dicionário Mulheres do Brasil, de 1500 até a atualidade: biográfico e ilustrado. 2. ed. Editora Zahar: Rio de Janeiro, 2000. 

TELES, Maria Amélia de Almeida. Breve história do feminismo no Brasil. São Paulo: Editora Brasiliense, 1993. Disponível em: edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/4220349/mod_resource/content/1/TELES%2C Maria Amélia. Breve história do feminismo no Brasil. %281%29.pdf. Acesso em 19 jun 2023.

  • Sites:

Alice Tibiriçá, patrona do Dia das Mães. ABI – Associação Brasileira de Imprensa, 06 de maio de 2010. Disponível em: Alice Tibiriçá, patrona do Dia das Mães | ABI. Acesso em 19 jun 2023.

#AME – ALICE TIBIRIÇÁ. #AME – Admiráveis Mulheres Empoderadas, 8 de Janeiro de 2016. Disponível em: #AME – Alice Tibiriçá | #AME – Admiráveis Mulheres Empoderadas (wordpress.com). Acesso em 19 jun 2023.

SAYEG, Mário. Alice Tibiriçá. 2006. Disponível em: SciELO – Brasil – Alice Tibiriçá: 09.01.1886 / 08.06.1950 Alice Tibiriçá: 09.01.1886 / 08.06.1950. Acesso em 19 jun 2023.

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